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Quinta-feira, Setembro 21, 2006

Pronto ? - Chambers

"Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação", 1 Tim.4.6.

Pronto Para Ser Oferecido?

"Eu estou prontificado para ser oferecido agora". Este é um ato de vontade e não sentimental. Diga a Deus que você está pronto para ser oferecido por libação; e depois, sejam quais forem as consequências que advenham disso, não faça a mínima questão de se queixar, não importa qual seja a decisão que Deus toma. Deus nos faz passar por crises a sós; ninguém neste caminho com Ele pode ajudar seu próximo. Exteriormente a vida pode até ainda ser a mesma; a diferença estará na vontade a qual subsiste e permanece.

Vença essa crise a nível da vontade e, depois, na forma que ela reaparecer exteriormente, você nem pensará no preço que pagou. Se você não for operante segundo a vontade de Deus nessa área, acabará despertando em si auto-lamúria e lastimações injuriosas.

“Atai a vítima da festa com cordas e levai-a até aos ângulos do altar", Sal.118:27. O altar significa fogo – algo que queima, purifica e separa – com um único propósito: a destruição de todo tipo de afeição e desejo que não tenham sido gerados através de Deus e de todo apego que não tenha sido aprovado por ele. Não é você que os destrói mas sim Deus. Amarre o seu
holocausto às pontas do altar mas cuidado para não se entregar à auto-lastimação quando o fogo começar. Depois dessa passagem pelo fogo, nada haverá mais que o oprima ou deprima. Quando surgir uma crise, você notará que as coisas não o afectam mais como antes faziam. Que se dará com a sua passagem pelo fogo?

Diga a Deus que está pronto para ser oferecido então e o próprio Deus lhe mostrará que ele é tudo o que sempre pensou ele fosse.






Misericórdia - C. H. Spurgeon

“Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão”. Romanos 9:15

A partir destas palavras deduzimos que o Senhor pode e tem o pleno direito de dar e retirar a sua misericórdia em conformidade com a Sua espontânea vontade. Os homens obrigam, Deus dá a quem entende que vai usar da Sua misericórdia para se arrepender e não para se corromper. Tal como o livre arbítrio dum monarca sobre a vida de todos os seus súbitos, assim faz Deus também, condenando e absolvendo todos os que são ou culpados ou inocentes a Seus olhos, mediante a Suas leis.

Os homens, pelos seus pecados excluíram-se da Sua graça e Boa-vontade. Merecem perecer. No inferno não terão porque se queixar do caminho que escolheram – era o que queriam, foi aquilo que escolheram! Se por acaso o Senhor sair do Seu caminho para salvar alguns perdidos, Ele pode fazê-lo desde que nunca comprometa as Suas próprias leis de justiça eterna. Se por acaso entender que deve deixar as pessoas perecer, é em conformidade com aquilo que estas merecem – nada demais do que aquilo que já têm sobre si, isto é, culpa eterna diante de Deus. Caso Deus deixe os culpados seguirem em seus caminhos de condenação voluntária, estará exercendo apenas Seus direitos de Justo Juiz. Se um Juiz terreno aplica uma qualquer sentença justa, nenhum homem porá objecções a tal feito.

A misericórdia aufere o direito, também, de interferir na vida particular de quem é culpado para que se dê tempo para se transformar quem ainda pode vir a sê-lo. A interferência é justa também. Mas tolos serão todos aqueles que põem os homens sob a mesma tutela condenatória. Ignorantes são todos aqueles que discriminam e argumentam sobre a aplicação da graça, pois é da vontade de Deus que todos os homens se salvem. Devem ser tidos como mais que ignorantes até, pois, fala assim quem não quer salvar para se usar de falatórios sobre Deus para proveito próprio. As suas contendas não estão apenas viradas para quem tem doutrinas, mas sim contra o Deus de toda a misericórdia. Mas é de esperar que, quando vemos a nossa ruína intransigente, neste malogrado deserto que é a vida de quem vive longe das fontes de água – da vida eterna cá na terra e não só – saibamos também que Deus não tem nenhuma obrigação para connosco a não ser pela misericórdia. Quando murmurarmos apenas porque Ele escolhe outros, porque não escolhemos antes salvar-nos desta perversa geração para alcançarmos misericórdia desse jeito?

Se Ele escolher um sítio, uma congregação onde começar a trabalhar para a salvação de muitos mais, tratar-se-á apenas dum simples acto de bondade sobre o qual nenhum ser humano tem direito e o qual Deus tem o direito e livre arbítrio de dar e conceder a quem quer, como quer e a Seu devido tempo. Daí extrai louvor e glória de todos os Seus, pois sabem que nunca buscariam Deus por eles, sem intervenção Sua. Imagine-se o tamanho do pecado de quem ainda assim rejeita esta graça! Não existe, porém, doutrina mais humilhante para um pecador que esta de ele não ter como se salvar sem Deus. Os crentes nunca devem temer, mas enaltecer esta graça divina, pois humilha quem será exaltado pela mesma acima nos céus, promovendo gratidão sem fim, santidade porque não podem nunca pensar que são escolhidos em detrimento de outros, mas sim pela bondade de Deus apenas. Poderiam estar a fritar no inferno e não estão, sendo pessoas de igual culpa, de igual pecado.



C. H. Spurgeon
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O Reino - Martinho Lutero

Leia em sua Bíblia: Mateus 2.1-3

“Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes e, com ele, toda Jerusalém”.(v.3)

O REINO DE HERODES E O REINO DE CRISTO

Aparentemente Herodes era um rei poderoso, vitorioso no campo de batalha. Em qualquer direção que brandisse a espada, era bem sucedido. Era sábio, sensato, poderoso e rico no que diz respeito ao exterior. Mas em questões internas, em sua casa, era totalmente fraco e infeliz. Assim, por fora, Herodes era feliz; mas por dentro, totalmente infeliz. Agora, Cristo, que é o nosso verdadeiro rei, era bem pobre e miserável, desprezado e rejeitado no que diz respeito às aparências externas; entretanto, interiormente, estava pleno de alegria, consolo e coragem.

Portanto, devemos lutar para que Herodes, que é bem sucedido em questões desse mundo, não nos roube a Cristo, o Rei verdadeiro e gracioso. E embora esteja ele deitado na manjedoura qual criança pobre e miserável, é para lá que temos que ir.

Por isso, se quisermos ser salvos e ter uma consciência tranqüila e feliz, devemos pôr de lado o modo de viver do rei Herodes e aceitar um outro rei, Cristo. Isto significa que não devemos imaginar que podemos salvar-nos por meio das obras, e também não depositar nelas a nossa confiança, e, sim, imprimir em nossos corações unicamente a imagem do bondoso Senhor Jesus Cristo, que vem a nós sem pompa alguma. Pois quando os três santos reis desistiram de todas as obras e ajuda humana e, confiando em Deus e apegando-se à profecia de Miquéias 5.2, foram a Belém, imediatamente tornaram a ver a estrela.


M. Lutero
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Quarta-feira, Setembro 20, 2006

Sofrimento - Martinho Lutero

Leia em sua Bíblia: João 14.21-24

“Se alguém me ama, guardará a minha palavra”. (v. 23)

Amar a Deus no sofrimento

A igreja na terra precisa estar e lutar em fraqueza, miséria, pobreza, medo, morte, humilhação e vergonha. Pois a situação de aperto certamente fará com que você saia de si mesmo e deixe de confiar em orientação, ajuda e força de homens, e tenha Cristo no coração e considere o seu nome, sua palavra e o reino de Deus as coisas mais importantes, caras e valiosas do mundo. Quem não faz assim, antes ama a sua própria vida, honra e poder pessoal, bem com a estima, amizade, prazer e alegria do mundo mais do que aquilo, para este de nada vale o que está sendo dito aqui. Como o próprio Cristo diz um pouquinho adiante: “Quem não me ama, não guarda as minhas palavras”.

Não se trata, porém, de um amor que se limita a palavras. Precisa ser um amor que se manifesta em obras, com a expressão “guardará a minha palavra” indica. Porque o verdadeiro amor se caracteriza por fazer tudo pelo amado. Ao verdadeiro amor nada é difícil demais de ser padecido ou suportado; ele faz tudo com alegria.

Se realmente a inexprimível bondade de Deus nos calasse bem no fundo do coração, com certeza, nada nos seria incômodo ou pesado demais de padecer e suportar por causa dele, desde que permaneçamos em seu amor. Eis o que significa não apenas gostar de ouvir sua palavra, mas, também, guardá-la e ser vitorioso


M. Lutero
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Propósito? Chambers

"Logo a seguir, compeliu Jesus os seus discípulos a embarcar e passar adiante para o outro lado...", Marc.6.45-52.

O Propósito de Deus Ou o Meu?

Temos tendência para pensar que, se Jesus Cristo nos der uma ordem e lhe obedecermos, ele nos levará a um grande sucesso. Nunca devemos colocar nossos sonhos de sucesso como o propósito de Deus para nós; seu propósito talvez seja exactamente o oposto do nosso. Imaginamos que Deus está a levar-nos a um determinado fim, para um alvo desejado; mas ele não está. Chegar ou não a um alvo específico é mero incidente. Aquilo que chamamos de processo, Deus chama de alvo.

Qual é meu sonho no tocante ao propósito de Deus? O propósito dele é que eu dependa dele e do seu poder. Se eu conseguir manter-me calmo e despreocupado no meio dum tumulto, este é o propósito de Deus. Deus não está a operar visando uma determinada conclusão a meu favor; o alvo dele é o que considero o processo - que eu o veja andando sobre as ondas, sem nenhuma praia à vista, nenhum êxito, nenhum alvo meu; apenas a certeza absoluta de que está tudo bem porque eu o vejo andando sobre o mar. É o processo, não o fim, que glorifica a Deus.

O treino de Deus é para já, não para daqui a pouco. Seu propósito é para este momento, não para algo no futuro. Não temos nada a ver com o "depois" da obediência; se nos preocuparmos com o "depois" estaremos errados. O que os homens chamam de treino e preparação, Deus chama só de alvo.

O alvo de Deus é capacitar-me para a compreensão de que ele pode andar sobre o caos de minha vida hoje ainda. Se temos um outro alvo em vista, não prestamos atenção necessária e quanto baste ao que acontece no tempo presente. Mas, caso reconheçamos que o alvo é a obediência, então cada momento, seja ele como for, torna-se precioso e importantíssimo.





Tua Habitação - C. H. Spurgeon

“O Deus eterna é a tua habitação”. Deut. 33:27

Esta palavra “habitação” pode ser diretamente traduzida para “mansão” ou ainda “lugar de permanência”. Isto faz de Deus a nossa única e própria habitação, a nossa casa. Transparece aqui uma doçura nesta forma de expressão, uma plenitude sem fim, pois é em casa onde nada nos falta, desde o calor familiar, como a comida e todos os utensílios necessários à nossa existência contínua nesse certo local. Mais ainda, é coisa muito chegada ao nosso próprio coração, pois pode até ser a mais humilde cabana ou a casa mais perfeita – nunca deixa de ser coisa chegada a nosso peito e alma. Mais doce ainda se torna nosso Deus ao nosso paladar, quando de fato Ele se torna nosso lar, nosso refúgio dum temporal, nossa habitação segura e permanente.

É n’Ele que nos movimentamos, é n’Ele que nos temos como seres fragilizados pelas muitas circunstâncias de vida agreste que se nos apresentam diariamente e ininterruptamente. É ali onde nos sentimos bem, porque lá de fato estamos muito bem. Assim e desde logo, basta estarmos em Deus de facto para que nunca mais temamos qualquer coisa vil. Ele apenas, é o nosso abrigo de ali em diante, o nosso refúgio duma tempestade agreste, onde tomamos o nosso posto de descanso eterno. É em casa que temos nosso estado de espírito que nos permite o descanso, pois há pessoas que apenas conseguem dormir em camas familiares, que conhecem como sua. Em casa nunca tememos ser mal entendidos, se nos exprimirmos mal. É ali que descobrimos que não haverá impedimentos ao descanso prometido, onde nos sentimos à-vontade para nunca nos abstermos de ceder ao amor e paz e aconchego dum lar que nos é sempre familiar.

Está você familiarizado com Deus, ao ponto de se sentir bem n’Ele, com Ele? Lemos que “os segredos do Senhor estão com aqueles que o temem continuamente” e para mais ninguém. Assim, também os segredos daqueles que temem a Deus estarão com seu Deus, pois Ele tudo conhece e sabe a seu respeito – haja quem queira ouvir apenas! A nossa habitação é e será também o lugar da mais pura alegria e esperança. Ali podemos explicar e cantar de alegria, desvendar os mistérios do nosso ser que tanto nos apoquentam e atormentam, pois há muita pergunta que não sabemos como responder fora d’Ele Ali, em nosso aconchegante lar, descansamos para termos como enfrentar o novo dia de amanhã, onde nossos dedos terão de ter a precisão do labor que nos resta ainda fazer. O descanso faz parte do trabalho e nosso lar é sempre sinónimo de repouso para nós todos. Ali, em nosso Redentor, temos como e porque descansar. Assim sentimos que devemos trabalhar sim, mas em descanso de consciência e alma, sem aquela fadiga que nos leva a nunca desejar aquele dia de amanhã. C

omo está de descanso meu caro amigo? Que é feito daquilo que Deus lhe prometeu desde há muito? “Pois, ainda resta (falta) um descanso para o povo de Deus” (Heb.4:9). Sábios serão todos aqueles que em Deus acham sua habitação e refugio, pois nenhum mal se lhes chegará por perto – jamais


C. H. Spurgeon
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Terça-feira, Setembro 19, 2006

Ingratidão - Martinho Lutero

Leia em sua Bíblia: Salmo 116.1-14


“Que darei ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo? Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do Senhor”. (vv. 12.a)

Assim está escrito no Salmo. E Deus nosso Senhor diz: Sim, meu filho, isso já me basta”.

Mas, são poucos dos quais o bondoso Pai recebe isso. A maioria despreza sua palavra e blasfema, ignorando que tudo que temos nos foi dado por Deus em sua graça. Mas não se limitam a isso. Chegam a ponto de pendurar no madeiro o Filho de Deus, que foi enviado por Deus para nosso consolo e para salvação do pecado e da morte eterna. Seria de esperar que Deus fosse, simplesmente, inimigo desse mundo, recusando-se a fazer-lhe o bem. Mas ele não se irrita; continua sendo bondoso e gracioso, ajudando, apesar de tudo.

Por isso, não basta aprender a ser agradecido. É preciso aprender também a virtude que aceita a ingratidão. E essa virtude somente Deus e o verdadeiro cristão têm.
Portanto, quem deseja ser cristão, deve aprender que sua bondade, fidelidade e serviço nem sempre virão acompanhados de agradecimento. Ele também terá de estar disposto a receber ingratidão. Agora, não devemos deixar que isso mude o nosso comportamento, fazendo
com que desistamos de servir e ajudar os outros. Pois, se alguém se esforça ao máximo, e em troca só recebe desaforos, é virtude cristã e genuíno fruto da fé saber dizer:

“Não se preocupe, porque isso não vai me fazer perder a calma nem que desanime. Vou agüentar firme e, apesar de tudo, ajudar onde for possível. Se você é ingrato, sei de alguém maior do que a gente no céu; ele vai dizer o ‘muito obrigado’ em seu lugar, e isso me será preferível a sua ingratidão”. Essa é uma atitude cristã e , no dizer de Salomão, é como derramar brasas vivas sobre a cabeça do ingrato.


M. Lutero
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Obcecado - Chambers

Está Obcecado Com Algo?

"Ao homem que teme ao Senhor..." Sal.25.12.

Você se acha obcecado com algo? Talvez diga: "Com nada". Mas o fato é que todos nós nos apegamos a alguma coisa, em geral a nós mesmos, ou, se somos cristãos, à nossa experiência evangélica. O salmista diz que devemos ser apegados ao temor de Deus.

Devemos estar permanentemente conscientes de Deus e não apenas pensar nele de vez em quando. Toda a nossa vida interior e exterior deve estar a ser influenciada pelo temor a Deus, pela consciência de sua presença. Uma criança é normalmente tão carente de sua mãe que, embora não esteja pensando nela, quando surge um problema, a primeira coisa que lhe ocorre é sua relação com ela. Assim devemos nós viver também, nos mover e existir em Deus, Act.17:28 e relacionar tudo com ele, por estarmos mais conscientes dele do que de qualquer outra coisa deste mundo.

Se estamos de fato conscientes de Deus, nada mais pode interferir, nenhuma preocupação, nenhuma tribulação, nenhuma ansiedade. Percebemos então por que razão o Senhor falou tanto do pecado da preocupação. Como nos atrevemos a ser tão incrédulos quando Deus está ao nosso redor? Estar consciente da presença de Deus "e andar e viver n'Ele", Act.17:28, é ter uma barreira eficaz contra qualquer dos ataques do inimigo.

"... Repousará a sua alma", Sal.25:13. Na tribulação, na incompreensão, na calúnia... Se nossa vida estiver oculta com Cristo em Deus, ele nos manterá tranquilos no meio de todas essas coisas. Mas às vezes nós nos privamos da maravilhosa revelação desse permanente companheirismo de Deus. "Deus é o nosso refúgio", Sal.46:1 - nada nos invadirá dentro desse abrigo.


Meyer




Pronto para Ouvir? C. H. Spurgeon

“E, ouvindo a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim à tardinha”, Gen.3:8

Minha alma, agora que a noite chegou e aquela brisa da tardinha está aqui, retira-te um pouco para a solidão dos teus aposentos e escuta a voz de Deus. Ele sempre esteve pronto a falar desde que estejas pronto a ouvir também. Se existe alguma frieza que te impeça de te comunicares com Ele, a qual não é relutância da Sua parte, mas da tua, pois eis que Ele está à porta e bate e se Seu povo fizer caso disso, Ele entrará para cear com eles com toda a alegria.

Mas em que estado se acha o meu coração actualmente, o qual é o jardim do Senhor também? Que me aventure a esperar d’Ele que este jardim seja bem podado e tratado, regado continuamente, dando de seus frutos a seu tempo. Mas se não me aventuro, Ele terá muito com que me reprovar, mas mesmo assim oro para que se achegue a mim, pois nada deste mundo me poderá colocar em perfeitas condições como o Sol da Justiça, o Qual traz cura e saúde nas Suas asas. Vem então, Senhor meu Deus, minha alma te convida seriamente e espera por Ti com toda a ansiedade. Vem até mim Senhor Jesus, meu Amado e planta flores novas neste jardim que é meu coração, tais que floresçam em tal perfeição que apenas iguale Teu próprio carácter.

Vem meu Pai, Tu que és o esposo, mas lida comigo em tua ternura e prudência sem fim. Vem Espírito Santo e deixa cair teu orvalho sobre toda minha natureza, como as ervas são molhadas na calada da noite, assim faz também comigo. Ó, que Deus falasse comigo também! Fala Senhor, pois teu servo ouve! Que Ele andasse comigo! Estou disposto a entregar todo meu viver para Ti Senhor, meu coração e mente e cada pensamento que dali nasça.

Estou a pedir apenas aquilo que Te deleita dar também. Estou seguro que Ele descenderá sobre mim, para usufruirmos duma comunhão sem igual daqui em diante e um com o outro, pois me deu do Seu Espírito para permanecermos juntos para sempre. Doce é este entardecer, quando cada estrela parece ser um dos muitos olhos dos céus e fresca será a brisa deste fôlego celestial. Meu querido Paizinho, meu irmão primogénito, meu Conforto e alegria, fala agora em todo o amor e bondade, pois me abriste meu ouvido e nunca Te sou rebelde.



C. H. Spurgeon
k




Segunda-feira, Setembro 18, 2006

Princípios - Meyer

Leia em sua Bíblia – Gn 1.1-19

PRINCÍPIOS (1-5). Todos os começos devem principiar com Deus. Ponhamos sempre Deus em primeiro lugar.

A primeira pedra de cada construção, nosso primeiro pensamento todos os dias, os objetivos e propósitos principais de todas as nossas atividades devem ser dedicados a Ele. Comecemos o livro do ano com Deus, e assim chegaremos ao final dele com a glória da nova Jerusalém.

A princípio, como na criação física, nosso coração e vida podem parecer, “sem forma e vazios”. Não desanimemos. O Espírito de Deus está dentro de nós, pairando no meio das trevas e, oportunamente, sua luz brilhará. É a bendita presença do Senhor Jesus que se agita em nosso coração e, dentro em pouco, dirigirá nossa vida (Jo 1.4).

A presença dele faz separação entre o bem e o mal. Precisamos distinguir entre Cristo e o Ego. Sigamos o clarão e não andaremos em trevas, mas teremos a luz da vida. Os dias de Deus começam ao entardecer, e terminam sempre ao amanhecer .

CÉU, TERRA, ESTAÇÕES (6-19). Houve diversos estágios na criação. Os dias, como períodos... Assim ocorre com a nova criação em nosso coração (2Co 5.17). Na natureza, as nuvens que flutuam acima de nós acham-se separadas das águas que estão abaixo de nossos pés; assim, na experiência cristã, devemos procurar saciar a sede não somente com a água que vem da terra, mas, também, com a de cima. (Ver Col 3.1-4).

Nossos poços devem ser enchidos com água do céu. Notemos como na criação há diversas separações, come entre o dia e a noite, os mares e as terras; assim também, quando vivemos no Espírito, somos aptos para distinguir, não apenas o branco do preto, mas, também, as diferentes gradações do cinzento. O teste de vitalidade de uma planta é sua capacidade de se reproduzir em outra da própria espécie; nós estamos sempre nos reproduzindo em outros, semeando trigo ou papoulas.

Se Deus pode sustentar os sóis e planetas em seu esplendor e beleza, então pode guardar-nos também (Is 40:26,27)

Meyer




Cingidos - Martinho Lutero

Leia em sua Bíblia: Lucas 12.35-48

Vamos ao seu encontro

“Cingidos estejam os vossos corpos e acesas as vossas candeias”. (v. 35)

Quem vai viajar deve colocar de lado suas vestes compridas e folgadas, e vestir roupa apertada. Cristo diz assim: Estejam preparados e prestem atenção no jogo; tenham as lâmpadas na mão e fiquem atentos, porque nada é certo. Pois a morte vai bater à sua porta, mas a que horas, ninguém sabe. Por isso, estejam à espera dessa hora.

Devemos trabalhar como se jamais fôssemos morrer e, ao mesmo tempo, estar com o espírito preparado como se fôssemos morrer agora mesmo. Eis o que significa cingir o corpo: viver à espera de Cristo, o Noivo.

Agora, essa doutrina nos derruba no chão e leva ao arrependimento. Pois ninguém estará assim preparado ao ponto de aguardar o dia do Senhor com alegria. Amamos o nosso pior inimigo, e nossa carne, de sorte que não nos agrada a idéia de morrer.
Se você não reconhece que ainda não está preparado como deveria, fale com Deus e apresente seu problema; ele lhe perdoará o pecado. Mas se desprezarmos sua palavra e estamos seguros de nós mesmos, Deus não nos dará o perdão, mas levará nosso pecado em conta, em nosso prejuízo.

Deus, certamente, pode tolerar fraqueza; agora, maldade e desprezo ele não os pode suportar. Aquele, portanto, que reconhece que não está preparado, que faça confissão diante de Deus, peça ajuda, para que estejamos preparados. E Deus perdoará seu pecado e o ajudará graciosamente.

M. Lutero
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Levantai-vos - C. H. Spurgeon

“E disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação”, Lucas 22:46

Quando é que o crente mais quer dormir? Não é precisamente quando as circunstâncias não ajudam, quando tudo é difícil? Não é assim consigo também? Quando os problemas se acumulam e não nos permitem aproximar daquele trono de graça e perdão, quando menos queremos ser vigilantes e oportunos, quando mais precisamos de ser e estar assim oportunamente diante de Deus.

As estradas fáceis também trazem sonolência a quem cavalga. Também aqui encontramos poucas pessoas que querem permanecer acordadas. Os crentes não adormecem com muitos leões por perto. Ou quando atravessam um rio perigoso, ou quando lutam com Apolião, mas apenas quando já subiram até meio daquela montanha penosa e chegam a bom porto. Ali sim, até um leão pode estar escondido que ninguém supõe ser possível ser tragado vivo! Será ali quando um peregrino adormece para perdição sua. Os locais onde os peregrinos descansam, onde o perfume do descanso convida e se realça, onde a brisa suave sopra um som relaxante, onde tudo contribui para que pestaneje e isto enquanto o príncipe, o Filho do Homem, está para chegar a qualquer momento.

O diabo não dorme. Mas ele faz dormir.
Recordemos aqui a discrição de João Bunyan: eles chegaram a um porto embelezado com verde, quente e comprometedor, muito refrescante para aos peregrinos exaustos; estava embelezado com folhas verdes e convidativas, fornecido com galhos e tentações; também havia por ali uma almofadada cadeira de descanso onde qualquer peregrino gostaria de se enroscar. O Porto chamava-se “Amigo do Preguiçoso” e foi propositadamente feito para iludir e enganar quem fosse transiundo por ali, quem estivesse cansado e tentado a descansar”. Se dependemos disto para viver, será em lugares como este onde podemos perder nossa vida infantilmente.

Ali esquecemos que corremos perigo de morte, que existe um Leão pronto a saltar e tragar e despedaçar. Erskine disse pela sabedoria: “melhor é ter um demónio barulhento por perto, a rugir, do que um calado”. Não existe maior tentação que a ausência dela. Um espírito atribulado não dorme, não adormece facilmente. É apenas quando entramos numa fase de confiança, falsa ou verdadeira, que o perigo tem a sua melhor oportunidade de nos tragar logo. Quando é que as noivas perderam o comboio para a boa aventurança? Não foi quando confiaram no azeite que tinham? Também os discípulos adormeceram quando sabiam que Jesus orava. Tenha cuidado, toda a precaução, crente alegre, pois pode estar confiante demais e adormecer infantilmente.

Esteja alegre, o mais alegre que pode e sabe, pois o seu Deus é realmente grandioso; mas acima de tudo, nunca deixe de estar e permanecer sempre vigilante. Seja alegre, sim, mas vigilante.




C. H. Spurgeon
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Sexta-feira, Setembro 15, 2006

Destinados a Ser Santos - Chambers

"Sede santos, porque eu sou santo", 1 Ped.1.16.

Repetidamente deve informar-se a si mesmo sobre o propósito de sua vida. O fim para o qual todo o homem foi criado não é a felicidade pessoal, nem a saúde, mas a santidade. Hoje temos inclinações e gostos demasiado fortes; saímos prejudicados e danificados por causa deles; são gostos e inclinações que achamos corretos, bons, nobres, que ainda hão de ser plenamente realizados, mas que, por agora, Deus terá de atrofiar em todos nós. A única coisa que importa é saber se aceitaremos o Deus que nos tornará santos. Devemo-nos relacionar correctamente com Deus, custe o que nos custar.

Será que acredito mesmo que preciso ser santo diante de Deus? Será que acredito e tenho plena convicção de que Deus pode participar em minha vida interior e tornar-me totalmente santo? Se, com sua pregação, você me convencer de que não sou santo, certamente que me ressentirei de sua pregação. A pregação do evangelho provoca um enorme ressentimento porque revela que não sou santo; mas também desperta um intenso anseio para sê-lo. Deus tem um único alvo para a raça humana, a saber, a sua total santidade.

Seu objetivo é a formação de pessoas santas. Deus não é uma máquina eterna de produzir bênçãos para nós, mas antes de santidade; ele não veio salvar os homens por piedade; veio salvá-los porque os havia criado logo desde o início para serem santos. A expiação significa que, através da morte de Jesus Cristo, Deus pode recolocar-me em perfeita união e harmonia com Ele mesmo, sem que uma única sombra se interponha entre nós dois.

Nunca tolere, por condolência ou mesmo por pena de si mesmo ou de outros, qualquer prática que não se possa harmonizar com a santidade de Deus. A santidade significa andar sem mácula, falar sem mácula, pensar sem mácula - tendo todos os pormenores da vida sob o próprio escrutínio de Deus. A santidade não é apenas o que Deus me dá, mas o que consigo demonstrar livremente de tudo aquilo que Deus me ofereceu.




Morreram na Fé - C. H. Spurgeon

“Todos estes morreram na fé”, Heb.11:13

Eis em analogia toda a história destes santos abençoados, os quais dormiram muito antes do nosso Senhor ter vindo! Tão pouco importante nos será como morreram, seja em idade avançada ou através da violência. Este ponto comum a todos eles, dá-lhes o relevo duma coisa que lhes será característico a todos: “Todos morreram na fé”!

Pela fé viveram – esta sempre foi seu conforto consolador, seu guia e motivação, seu apoio incondicional. Nessa mesma graça persistiram até à morte, terminando assim suas vidas com chave de ouro, depois duma luta doce comum a todos eles, na qual persistiram até ao fim. Não morreram na carne esperando em força própria. Nunca progrediram até Deus sem que haja sido pela fé, mantendo-a até ao fim de suas carreiras frutuosas. Pela fé se morre e se vive eternamente de forma preciosa, tanto na morte com na vida se persiste.

Morrer na fé traz-nos distintamente ao passado. Eles creram nas promessas que lhes haviam sido feitas, muito tempo antes, havendo sido assegurados que os seus pecados também haviam sido perdoados e apagados para sempre, pela misericórdia de Deus. Morrer na fé traz-nos
ao presente momento também. Todos estes santos estariam muitos confiantes sobre sua aceitação diante de Deus, eles gozaram os raios de seu sol e amor, descansando em Sua fidelidade contínua.

Morrer nesta fé também nos levará ao futuro. Eles morriam manifestando esperança no futuro dum Messias que ainda estava para vir e que iria ressurgir nos últimos dias desta terra para os ressuscitar também, para assim O contemplarem ainda. Para estes, todas as dores que a morte lhes provocou, eram apenas dores de renascimento para um melhor e mais exaltado estado. Seja encorajado, grande homem, quando estiver lendo estas letrinhas. Sua carreira pela graça, será uma de fé na qual tudo aquilo que vê, nada de verdade lhe transmitirá. Foi este o curso que tomaram todos quantos lhe antecederam.

Fé é a órbita sobre a qual giraram estas estrelas cintilantes, desta primeira fase de brilho. E muito feliz será você se esta carreira lhe vier a ser comum também. Olhe de novo para Jesus esta noite, o Autor e o Consumador desta nossa fé e tenha como e porque agradecê-Lo pessoalmente por Ele lhe haver concedido fé igual também, igual à de quem já está na glória cantando para sempre.


C. H. Spurgeon
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Coração Temeroso - M. Lutero

Leia em sua Bíblia: Salmo 55.1-8,22-23
“Estremece-me no peito o coração, terrores de morte me salteiam”. (v. 4)

O pior martírio e sofrimento é aquele que ataca e tortura o coração. Os sofrimentos que atacam o corpo são suportáveis. Neles, o coração pode, até, alegrar-se e fazer pouco caso delas. Trata-se de um sofrimento só pela metade. Afinal, somente o corpo sente dores, enquanto que o coração e a alma podem estar repletos de alegria. Quanto, porém, toca ao coração levar toda a carga, nesse momento, para agüentar, é preciso disposição notável, acima do normal, bem como graça e força toda especial.

Agora, por que permite Deus que seus amados passem por tudo isso?

Em primeiro lugar, para guardar seu povo do orgulho. Para que os grandes santos, que receberam de Deus graça e dons especiais, não venham a depositar sua confiança em si mesmos. Por isso precisam passar por apertos
e apuros, para que não experimentem tão-somente e de contínuo o poder do Espírito, mas que, vez por outra, sua fé esperneie e o coração desanime e, assim, reconheçam o que realmente são e confessem que nada seriam não fosse Deus sustentá-los graciosamente.

Por outro lado, Deus permite que isso lhes suceda como exemplo para os demais, tanto para abalar os auto-confiantes quanto para consolar os amedrontados.

Em terceiro lugar, o grande e principal motivo por que Deus age assim é este: deseja mostrar a seus santos como procurar consolo real e contentar-se em encontrar e ter a Cristo.


M. Lutero
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Quinta-feira, Setembro 14, 2006

Andai por ele.

“Quando te desviares para a direita e quando te desviares para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra dizendo,: Este é o caminho, andai por ele” ((Is 30.21).

Quando estivermos em dúvida ou dificuldade, quando muitas vozes nos recomendarem com insistência esta ou aquela direção, quando a prudência segredar uma advertência, e a fé, outra, então, fiquemos quietos, silenciando cada voz intrusa, aquietando-nos no sagrado silencia da presença de Deus. Estudemos a Palavra com inteireza de coração, examinando-nos à pura luz da sua face, desejosos de conhecer somente o que o Senhor Deus determinar – e não passará muito tempo até que se forme em nós uma impressão muito nítida, a inconfundível comunicação da sua vontade.

Não é sábio, nos primeiros estágios da fé cristã, depender disto somente, mas devemos esperar também pela corroboração de circunstâncias. Mas aqueles que têm tido experiências com Deus conhecem bem o valor da comunhão secreta com ele, e podem perceber a sua vontade.

Se estamos em dúvida a respeito do caminho a tomar, levamos o problema a Deus; a orientação virá através da luz do seu sorriso ou da nuvem da sua recusa.

Se ficarmos a sós, onde a luz e as sombras da terra não possam interferir, onde as opiniões humanas não nos possam alcançar – e se nos mantivermos ali, em silêncio e expectação, embora todos ao nosso redor insistam em que tomemos uma decisão imediata – a vontade de Deus e uma visão mais profunda da sua natureza e seu coração de amor, uma visão que será apenas nossa – uma experiência preciosa, que ficará para sempre como aquisição, a rica recompensa daquelas longas horas de espera.




Eis O Homem! - Spurgeon

“Eis o Homem!” João 19:5

Se existe algum lugar onde o Seu povo possa comprovar a alegria do evangelho do seu Senhor, será lá onde Ele sofreu as mais horríveis humilhações. Venham, almas amedrontadas, “eis aqui o Homem”, no Jardim de Getsêmani. Vejam Seu coração tão cheio de amor, que nunca se conseguirá conter; tão amargurado que terá de sangrar transpirando, pois por algum lado esse amor tem de sair em manifestação.

Vejam as Suas gotas densas que destilam tudo quanto podem expressar por si. Ele cai e levanta-se. “Eis o Homem” a ser levado e pregado com pregos de metal pelas mãos e pelos pés. Olhem para cima, pecadores em arrependimento e vejam aquela penosa imagem de vosso rei e Senhor. Vejam como aquele sangrar brilha pela eternidade fora, como aquela coroa feita de espinhos não tem preço, tendo em conta aquilo que alcançou. “Eis o Homem” quando todos os seus ossos estão a ser desconjuntados e Ele é derramado como água e levado ao próprio pó da Terra.

O Pai O abandonou e ninguém passava por Ele. Olhem e vejam, houve tristeza, houve amargura como a d’Ele? Todos os transiundos, tenham uma melhor visão deste espectáculo que mudou o mundo. É único, não tem paralelo, um milagre digno de registo, um prodígio que nunca se poderá igualar. Olhem para o Imperador dos Ais, o qual nunca teve um igual a Si em tudo quanto sofreu. Agonizem e olhem, vós que vos lamentais, pois caso não exista outra consolação nos céus, haverá a dum Cristo crucificado, pois sem Ele, nunca haveria alegria por lá. Pelo resgate devido, colocou a esperança ao nosso alcance, pois em vós harpas celestiais, nunca existiria alegria caso Cristo não tivesse morrido. Mas porque Ele assim fez, terão porque tocar em uníssono sem cessar e sem se cansarem jamais.

Temos apenas de nos assentarmos com muito maior frequência ao pé da Cruz, contemplando, para que tenhamos uma maior valia e nossos próprios problemas se afastem de nós e triunfe em nós nosso Rei e Senhor também. Temos apenas de ver em suas dores nosso remédio, pois logo ali elas desvanecerão porque Ele sofreu. Ninguém dirá que sofreu quando contemplar o Calvário. Olhemos apenas para suas pisaduras e feridas, as quais nos curam para sempre. Se vivemos da maneira certa, será tão só porque Ele nos tornou essa vida possível, pois O contemplamos em Sua morte. Caso nos distingamos pela dignidade, será porque consideramos as Suas próprias humilhações para sempre.



C. H. Spurgeon
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Faço Novas... - M. Lutero

Leia em sua Bíblia: 2 Coríntios 5.11-17

“Se alguém está em Cristo, é nova criatura”. (v. 17)

Eis que faço novas todas as coisas

Porque um cristão é nova criatura ou obra recriada de Deus, alguém que pensa, fala e julga todas as coisas de forma diferente do mundo. E, por ser nova criatura, aos seus olhos, tudo deve e precisa tornar-se novo, aqui neste mundo através da fé, e no mundo vindouro por meio da clara revelação da natureza das coisas. Mas o mundo não pode e não consegue encarar a morte senão conforme sua coragem e velha natureza, a saber, que se trata da coisa mais horrível e apavorante do mundo, o fim da vida e de toda alegria.

O cristão, por sua vez, na qualidade de novo homem, deve estar orientado de tal forma que tenha pensamentos totalmente diferentes do mundo e possa ficar firme, ser feliz e louvar mesmo quando as coisas andam mal, e abrigar em sua mente apensa pensamentos como estes: que ele tem um grande tesouro, mesmo que seja pobre; é príncipe e senhor poderoso, mesmo que esteja na prisão; tem muita força, mesmo sendo fraco e doente; tem toda a honra, embora seja desonrado e humilhado.

Semelhantemente, que apenas se tornará pessoa com vida nova, caso, agora, tiver de morrer. Resumindo: ele recebe um coração e vontade completamente novos; juntamente consigo, renova todas as coisas sobre a face da terra; já neste mundo tem uma antevisão do mundo vindouro, onde, à clara luz e diante de seus olhos, tudo será renovado, tal como ele, agora, o concebe e imagina através da fé, segundo sua nova natureza.

M. Lutero
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Quarta-feira, Setembro 13, 2006

...E disse-te: Vive - C. H. Spurgeon

“E, passando eu por ti, vi-te banhada no teu sangue e disse-te: vive”, Ez.16:6

Homem salvo, considere de todo seu coração este mandato de toda a graça. Note como esta fiança de Deus é gratuita e majestosa. Neste texto vemos um pecador que nada tem a não ser seu pecado, esperando receber nada menos que ira sobre sua própria cabeça.

Mas o Deus eterno passa por ele em Sua glória; Ele olha e vê miséria, pausa e pronuncia aquela palavra real, “Vive!” Esta é a palavra dum Deus que já antes dissera “Que haja luz”. Quem, a não ser Ele, o próprio, poderia dispensar todas as outras muitas palavras e ficar-se apenas por uma, tratando-se de questões de Vida? Esta fiança é também múltipla. Quando pronuncia a palavrinha “Vive”, ela engloba uma série de coisas que à primeira vista perdemos da nossa percepção por inteiro. Aqui existe Vida judicial, eterna.

O pecador está decidido a morrer pelos seus pecados, mas mesmo assim o Criador se pronuncia a seu favor dizendo-lhe, “Vive!” Este mesmo pecador ressuscita da sua condenação e é absolvido. Esta palavra também significa vida espiritual para sempre. Nunca antes conhecemos Jesus de verdade, pois nossos pecados nunca o poderiam ver sendo Ele Espírito em toda a essência mais pura. Nossos ouvidos também, mortos que estavam, não poderiam ouvir essa palavra e Ele nos vivificou por isso mesmo, pois estávamos mortos em nossas transgressões. Mais ainda, isto inclui
uma vida em toda a glória, a qual é a perfeição de toda essa vida espiritual. “E disse-te: vive”.

Essa pequena palavra rolará pelos anos vindouros e soará em nossos ouvidos para sempre até que a morte nos bata à porta e nessas trevas densas da própria morte, nosso Mestre clamará de novo e pela última vez “Vive!” na manhã da ressurreição será essa mesma voz que será pronunciada pelas trombetas dos arcanjos de Deus: “Vive!” Todos os espíritos santos ressuscitarão para uma nova vida em Cristo em toda a glória de seu Pai Celestial e no pleno poder dessa mesma palavra “Vive”. Note-se que é um mandato irresistível e impossível de conter.

Saulo de Tarso na estrada para Damasco, onde se dirigia para aprisionar e acorrentar os crentes em Deus, clamou “Senhor, que tenho eu que fazer?” Este mandato de vida é também de pura graça. Quando os pecadores são salvos, será apenas porque o faz para alargar toda a Sua glória pela livre, imcomprável, nunca-buscada graça de Deus. Crentes, vejam qual a vossa posição, pois sois devedores da maior das graças. Manifeste toda a sua gratidão através da sua vida dedicada, simples e tal como Deus lhe ordenou que vivesse, veja que viva de hora em diante com toda a seriedade duma vida que nunca merece.

C. H. Spurgeon
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Circunstâncias - O. Chambers

"Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus", Rom.8.28.

O Lado Sagrado e Não Detectável de Todas as Nossas Circunstâncias


É Deus quem coordena as circunstâncias de toda a vida de seus servos. Na vida deles não acontece nada por acaso, conforme se pode pensar. Deus, na sua providência, coloca-nos pelo lado de dentro de certas circunstâncias específicas que não conseguimos apreender, mas que o Espírito de Deus as compreende e entende muito bem. Deus tem como nos colocar em tais lugares, entre tais pessoas e em tais condições, com aquela finalidade de que seja o Espírito que está em nós a interceder por elas de Sua maneira peculiar.

Nunca interfira nessas mesmas circunstâncias, dizendo: "Aqui sou eu quem vai tomar as providências; preciso tomar cuidado aqui, resguardar-me dali..." Todas as nossas circunstâncias estão sujeitas e entregues nas mãos de Deus; portanto nunca considere estranhas as circunstâncias nas quais você se possa achar envolvido. Seu dever na oração não é interceder com gemidos pessoais, mas aproveitar as circunstâncias comuns e ajudar as pessoas entre as quais Deus, em sua providência, o coloca para levá-las perante o trono de Deus em oração através do espírito, dando ao Espírito Santo que está em si aquela oportunidade única e exclusiva de interceder por elas através de si. Desse jeito
, Deus alcançará todo o mundo através dos seus servos que Lhe são fieis nisto também.

Estarei a dificultar, mesmo sem saber, a obra do Espírito Santo através duma indefinição de minha parte ou com tentativas de fazer essa obra no lugar dele ou como eu acharia que deveria ser feita? As circunstâncias nas quais me possa achar e as pessoas ao meu redor, servirão para contribuir para o lado humano dessa intercessão peculiar. Tenho que fazer de minha vida um templo onde o Espírito Santo habita e, então, à medida em que apresento as pessoas diante de Deus, o Espírito Santo vai intercedendo por elas e depois através delas também.

As intercessões de outras pessoas nunca podem ser as minhas e as minhas intercessões nunca podem ser as mesmas delas; o Espírito Santo intercede em cada vida de forma individual, mesmo quando se usa dos mesmos objectos e os mesmos objetivos de intercessão. Tenho de saber que, sem essa intercessão, alguém ficará empobrecido espiritualmente.



Chambers
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Para Sempre - Martinho Lutero

Leia em sua Blíblia - Hb 7.20-28
“Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote, assim como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores, e feito mais alto do que os céus, que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu”. (vv. 26ss.)

Seu Sacrifício vale para sempre

O sacrifício de Cristo, oferecido uma vez por todas, vale para sempre, e nós somos livres porque cremos nesse sacrifício. Colocar qualquer coisa ao lado dele é pura ofensa a Deus. O próprio Cristo é o sacrifício que ele ofereceu na morte, para nos purificar dos pecados eternamente. Por isso, quando seu sofrimento chegou ao fim e o sacrifício foi oferecido, começou sua honra.

Na cruz, desaparecem sua honra, sua boa reputação, seus grandes feitos. Todas as pessoas começam a duvidar se, ao ajudar os outros, fez isso pelo poder de Deus ou pelo poder do diabo. Ali, ele perde a consciência, e a morte tem domínio sobre ele. Porque
, se este é para ser um sacrifício, então é preciso que seu sangue seja derramado. O cordeirinho tem de ser imolado. O sacrifício custa sangue. Agora, a luta de Cristo dura apenas um instante. Por isso ele faz o seguinte apelo sacerdotal: “Ah, querido Pai, mesmo que eles tenham e voltado contra mim, perdoa-lhes”.

E o que fez Cristo depois disso? Toma assento no tribunal de Deus. Quando todos o abandonaram e estão pensando que, no caso dele, está tudo terminado, justamente então ele começa seu reinado eterno, representa-nos junto ao Pai, intercede por nós quando somos acusados por causa dos pecados. Uma sentença é proferida contra nós; a consciência atemorizada sente que o pecado provoca a ira de Deus.

Nessa situação, nada nos pode ajudar senão o sacrifício de Cristo, que intercede por nós junto ao Pai, dizendo: “Querido Pai, o pecador é fraco e vive angustiado. Quero que você o dê para mim; eu paguei por seu pecado, ele confia em meu eterno sacrifício”.

Agora, quem se afasta desse sacrifício, esse está perdido para sempre.



M. Lutero
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Terça-feira, Setembro 12, 2006

Resistência - Lutero

Leia em sua Bíblia: 2 Tessalonicenses 2.7-12

Resistência ao maligno

Então será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca, e o destruirá, pela manifestação de sua vida”. (v. 8)


Assim, ainda em nossos dias, esse pequeno rebanho, que são os cristãos, seguindo o exemplo de seu Mestre e Senhor Jesus Cristo, repele o diabo, dizendo: “Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele darás culto”. Isso significa que os cristãos fazem uso da palavra de Deus, incessantemente manejam e afiam essa espada por meio de leitura, ensino, pregação, castigo, admoestação, consolo, etc. Assim conseguem fazer com que doravante os eleitos não mais confiem em obras ou num culto a Deus inventado por eles mesmos, por mais grandioso e glorioso que possa parecer. Mas depositam sua confiança tão-somente na profunda graça e misericórdia de Deus, que nos é profunda graça e misericórdia de Deus, que nos é prometida e revelada em Cristo. Sabem também que somente a Deus, como verdadeiro e único Senhor, devemos dar a honra de invocar e servir.

Dessa maneira, o iníquo é morto com o sopro da boca do Senhor, isto é, com a palavra oral, pregada pelos ministros de Cristo. E posso garantir: isso está em andamento agora e vai Ter continuidade, até que venha aquela bendita hora de nossa redenção final, pela qual esperamos.

Todos os que temos a mente de Cristo esperamos que essa feliz e consoladora manifestação de glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo (que é sempre e cada vez mais zombado, rejeitado, cuspido, açoitado, crucificado e morto na pessoa de seus seguidores) esteja às portas para acabar de vez com esses incontáveis horrores. Nessa sua manifestação, Cristo, nossa esperança e vida, vai mostrar e comprovar aquilo que agora cremos e anunciamos a respeito dele. Ou seja, ele vai resgatar-nos de toda miséria e desgraça física e espiritual que, nesse mundo, temos de passar e suportar por causa da confissão de sua preciosa palavra e do seu san5to nome, e que nos são infligidas pelo mundo mau e perverso, pelo seu pai, o diabo, e pelo anticristo, que só comete pecado e causa destruição.



Lutero
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Em Nosso Corpo

"Para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo", 2 Cor.4.10.
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O Hábito de Se agradar na Adversidade

Temos que formar hábitos para expressar o que a graça de Deus tem feito em nós. Não fomos salvos para nos vermos livres do inferno, mas para manifestarmos a vida do Filho de Deus ainda em nossa carne mortal; e são as circunstâncias desagradáveis que revelam se estamos ou não manifestando essa mesma vida que é Sua. Manifesto a brandura do Filho de Deus ou aquela irritação própria do meu ser sem ele? A única coisa que me capacita a apreciar o que não é agradável é o entusiasmo de não deixar que a vida do Filho de Deus se possa manifestar em mim.

Por mais desagradável que algo possa ser, diga: "Senhor, sinto-me feliz por obedecer-te nisto"; tão logo o faça, o Filho de Deus se manifesta e aquilo que glorifica a Jesus se manifesta em minha vida também.

Não pode haver espaço para contestação. No momento em que
você obedece à instrução dada, o Filho de Deus se manifesta através de sua vida em dada situação; mas, se você contesta, entristece o Espírito de Deus. Deve antes estar sempre em condições de poder manifestar a vida do Filho de Deus em si, não esquecendo que, se ceder à auto-piedade, estará impossibilitado de o fazer e de O tornar público. Nossas circunstâncias são o meio pelo qual manifestamos a maravilhosa perfeição e pureza do Filho de Deus. O que deveria fazer nosso coração vibrar é podermos encontrar nossos meios novos de manifestar ao mundo apenas o Filho de Deus. Uma coisa é optar pelo que não é agradável; outra é aceitar o que é desagradável por desígnio de Deus. Se Deus o permite, a aceitação deve ser amplificada em nós.

Mantenha-se sempre em condições de manifestar a vida do Filho de Deus em si mesmo. Não viva de lembranças; deixe que a Palavra de Deus esteja sempre viva e atuante dentro de si também.



O. Chambers
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Pastoreie Meus Cordeiros - Spurgeon

“E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do homem”. Mat.24:39

A condenação daquele dilúvio foi universal, pois nem rico nem pobre escapou: apenas quem era justo. Os sábios e indoutos, os famosos e os desconhecidos, os religiosos e os profanos, velhos e jovens, todos pereceram numa ruína comum, todos se afundaram. Muitos devem ter ridicularizado o Noé, rindo dele e de sua “fantasia”. Onde está seu riso agora? Apenas serve de motivo de condenação para eles. Outros devem tê-lo ameaçado pelo seu zelo contra a sua loucura: onde estão agora as suas vaidosas palavras de afronta, seu orgulho descabido? Até o critico que pensava julgar o trabalho do velho Noé pereceu – quantos lhe diziam que devia era trabalhar, fazer outra coisa.

O mar de água também os cobriu a todos. Também aqueles que sentiam pena de Noé, aqueles que aceitavam que era muito crente em suas convicções, mas que não partilhavam delas, afundaram para nunca mais se erguerem. Até os que foram pagos para ajudar Noé a construir pereceram – nenhum deles escapou. A inundação varreu todos, afundou nas trevas para sempre.

Esse dilúvio não criou nenhuma exceção, nenhum precedente. Por causa da vinda de Cristo, do mesmo modo, uma destruição mais que
anunciada está assegurada desde sempre. Não haverá classe, não haverá grau de educação, que faça escapar quem não tem Jesus de fato. Ó minha alma, olha para isso e aprende desde logo, treme e espalha o aviso do Juízo Final. Que grande é a apatia geral em todos os homens, em todas as mulheres, em todos aqueles que gozam, que respeitam, comendo e bebendo, casando e dando a casar, até que aquela manhã chegue de repente enquanto alguém ainda planeja algo para o fim-de-semana.

Nem um singular sábio sobrou, nem um deles foi poupado, entrando naquela arca. A estupidez assegurou que os derrubaria, a tolice de pensar que a humanidade se pode preservar a si mesmo. Que idolatria é essa, a de auto-preservação! Não é estranho isto, minha alma? Claro que é! Todos os homens se tornam negligentes até que a graça se manifeste e estes ao ouvir deixem de ser como animais irracionais, pensando direito a partir de então. Que Deus conceda que entrem na arca da fé, para se salvarem de seu pecado desde logo. Nenhuma ruína se aproximará dali, ali todos estarão seguros, grandes e pequenos, tanto o elefante enorme, como o pequeno rato. Até quem tem medo deve se sentir seguro ali; mesmo o leão corajoso só ali se deve sentir seguro. Ali o boi laborioso não tem mais cuidado com o seu arado – todos estão seguros em Jesus. Minha alma, estás tu n’Ele? Mesmo?




C. H. Spurgeon
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Sexta-feira, Setembro 08, 2006

Ele Contemplou - Martinho Lutero

Ele contemplou na humildade de sua serva
Leia em sua Bíblia: 1 João 1.1-4
“Porque o Poderoso me fez grandes coisas. Santo é o seu nome”. (v. 49)

Eis o significado dessas palavras da santa mãe de Deus: nada disso aí e nenhuma dessas grandes bênçãos se devem a mim, e sim, a Deus, que tudo fez e cujo poder atua em todos, sem intervenção de ninguém; esse me fez grandes coisas.

Eu sou apenas a oficina na qual ele trabalha, pois não ajudei em nada para a obra. Por esse motivo, também ninguém deve me louvar ou dar a honra à minha pessoa pelo fato de Ter me tornado mãe de Deus. Ao contrário, vocês devem louvar a Deus e sua obra em mim. Quanto a mim, basta que se alegrem comigo e me considerem bem-aventurada porque Deus se valeu de mim para realizar essa sua obra em mim.

Observe o cuidado com que ela atribui tudo a Deus
, sem querer mérito, honra ou glória para si mesma. Ao contrário, continua a viver normalmente, tal qual vivia antes de receber tudo isso. Ela não reclama mais honra do que antes, não se exalta, não explode, não se põe a gritar que se tornou mãe de Deus, não exige honra alguma. Vai e trabalha dentro de casa como antes, tira leite das vacas, cozinha, lava pratos, varre o chão, faz aquelas coisas simples e desprezíveis que uma empregada ou dona-de-casa tem de fazer, como se nem se importasse com essa extraordinária graça e bênção. Entre outras mulheres e vizinhas ela não é mais estimada do que antes.

Também não faz questão disso, pois continuou sendo uma pobre cidadã em meio à grande multidão de pessoas simples. Oh, que coração singelo e puro! Como se esconde algo tão grandioso atrás de uma aparência tão simples.

M. Lutero
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Desejo Vão - C. H. Spurgeon

“E eis que tudo era vaidade e desejo vão” Ecles.1:14

Nada tem como satisfazer plenamente a totalidade dos desejos que emergem do coração do homem. Apenas Deus com seu amor inundante e transbordante. Muitos dos santos já tentaram antes ancorar suas vidas em outras ruelas de vida, mas desde logo sentiram uma imensa vontade de saírem fugindo desses sub-reinos de total engano de alma.

A Salomão, o mais sábio de todos os homens, foi dado a experimentar muitos dos prazeres da carne que a nada levam. Ele fez isso por nós, para que viéssemos a saber por ele o desvario que tal vida é de fato. Eis aqui o seu próprio testemunho em palavras suas:

“Assim me engrandeci, e me tornei mais rico do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria. (10) E tudo quanto desejaram os meus olhos não lho neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; pois o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e isso foi o meu
proveito de todo o meu trabalho. (11) Então olhei eu para todas as obras que as minhas mãos haviam feito, como também para o trabalho que eu aplicara em fazê-las; e eis que tudo era vaidade e desejo vão, e proveito nenhum havia debaixo do sol”, Ecl. 2:9-11. “Vaidade de vaidades, diz o pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade”, Ecl 1:2.

O quê? É tudo em vão? Como é que um Monarca sobejamente favorecido em tudo pode falar assim? Porquê? Não existe nada que não seja desejo vão nas riquezas? Nada de bom em ser Rei desde o Jordão até ao mar da nação mais justa sobre toda a terra na altura? Nada que não parecesse vão no seu glorioso palácio forrado a ouro? Nada feito em madeira do Líbano se aproveita? Toda a música, nenhuma das mil mulheres com quem se desposou, todo aquele luxo e nada de bom havia em tudo aquilo? Impossível! Mas, caro leitor, é um facto que ele diz “Nada, tudo é uma enfadonha ocupação dos filhos dos homens”!

Este foi todo o seu veredicto final sobre todas estas coisas. Embarcar dentro de todo aquele amor do Senhor Jesus, estar em plena comunhão com Ele apenas – isso sim, é o tudo de todas as coisas.

Amigo leitor, não vá experimentar todas estas coisas pensando que elas sejam de maior valor alimentar que todos os preceitos cristão